322d3bce1e4f72b23bbfd73ab17d11c87cd0e1e0Esta é uma tentativa para tornar fácil o conhecimento da Física Quântica até para quem nunca freqüentou os bancos de uma Universidade. Pode ser que assim se desperte o interesse e se comece uma busca na Net para entender mais e mais, cada vez mais…

Escolha o momento para pensar na Física quântica. Não pode ser qualquer um. De preferência à noite, descansado(a), relaxado(a). Apague todas as luzes. Relaxe. De preferência num sofá, numa cama. Assegure-se de que não há ruídos nem sons de qualquer natureza à sua volta. Antes, porém, lembre-se que para explicar o Universo onde estamos os físicos (teóricos) começaram por teorias. Se essas teorias explicassem o universo que vemos, seriam consideradas e aceitas. Se houvesse falhas seriam revistas ou até mesmo esquecidas.

Vamos começar?
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Feche agora os seus olhos sem apertá-los. O que vê?

Nada. Não vê nada! Pior ainda, não tem nem noção de profundidade, de espaços, comprimento largura e altura. Com um pouco de abstração poderá sentir que o tempo também não existe. Isto é muito parecido com o que existia “antes” do início deste Universo. Se esperar, de olhos fechados, por um bom tempo, verá que começam a aparecer alguns sinais de que algo existe nessa escuridão, e pode ver alguns pontos de tonalidade diferente, talvez uma estrela, um ponto de luz. Vamos chamar a esse “nada” de “falso vácuo”, porque o vácuo verdadeiro nem o conseguimos fazer ainda. Por melhores que sejam os nossos instrumentos ou que o espaço fora da Terra seja considerado como vácuo, há sempre uma partícula, um raio de luz, e isso, como é matéria ou energia, não permite o vácuo total ou verdadeiro. Desse vácuo verdadeiro nada poderia emergir, aparecer. No falso vácuo, pode.

Nossos conhecimentos atuais não permitem que se saiba o que existia “antes” do início dos universos. Somente a partir de algo tão pequeno no tempo como 0,00000000000000000000000000000000001 segundo após o seu inicio.  Aquele “nada” que viu é apenas uma aproximação. O falso vácuo que existia era metaestável, ou seja, algo poderia aparecer a qualquer tempo. Bastava que se esperasse o tempo suficiente. Teoricamente – apenas teoricamente – poderíamos algum dia vir a fazer novos universos, mas isso está fora de cogitação: Exigiria condições que não podemos antever como viáveis nem num futuro em longuíssimo prazo.

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O que a Física Quântica nos diz é que nesse “nada” a que chamamos de “falso vácuo”, poderia materializar-se uma partícula, até um ônibus ou coisa maior. A probabilidade de aparecer um ônibus seria tão infinitamente menor do que aparecer uma partícula, que, se esperássemos uma eternidade poderíamos correr o risco de jamais o vermos materializar-se. Pelo contrário, o aparecimento de uma partícula seria mais provável. Bem mais provável. Podemos entender essa probabilidade através da complexidade do que se materializaria.

Chamemos a esse “nada” que sabemos agora ser o “falso vácuo” de Campo. Campo é uma região, um local, onde atuam forças. Peter Higgs, um físico teórico britânico, ainda vivo, e que deverá ganhar o prêmio Nobel deste ano de 2012, imaginou que esse campo, sujeito a forças, completamente instável, pudesse gerar uma partícula, a menor possível, chamada de bóson de Higgs. Esse campo de “nada” passou a ser chamado de “campo de Higgs”. Recentemente, no Grande Colisor de Hádrons em Genebra, descobriu-se que Higgs estava certo! A partícula de Higgs existe realmente e é a constituinte de toda a matéria que conhecemos.
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Numa dessas flutuações dos campos de Higgs formou-se uma pequeníssima esfera com algumas “protuberâncias”. O diâmetro dessa pequena esfera era ainda menor do que o diâmetro de um átomo atual. Ele inflou e deu origem a todo o Universo que conhecemos e o que sabemos existir, muitas e muitas vezes maior. Tantas que podemos até julgá-lo infinito, mas para uma ideia melhor do que é a Física Quântica, poderíamos dizer que se baseia nas probabilidades de uma partícula estar ou não em determinado lugar.  

Tentei simplificar ao máximo o que é a Física Quântica de que tanto se fala e a sua principal conseqüência: O Universo e a vida, e para os mais céticos, que acham que a física quântica é coisa de cientistas, aqueles que nem acreditam na teoria da evolução ou que o homem já foi á Lua, este fenômeno quântico da probabilidade das partículas pode ser visto no “salto quântico” dos elétrons. Se fecharmos um punho e o considerarmos como o núcleo de um átomo, a última camada de elétrons – guardadas as proporções – Estaria passando no topo do Empire State Building. Pois bem, o salto quântico, é efetuado pelos eletrons – que nunca sabemos onde realmente estão, apenas podemos saber o local mais provavel de estarem –  saltam de uma camada para as outras sem “percorrerem” o espaço entre elas. 

Rui Rodrigues

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