Acreditamos que a realidade que vivenciamos seria um tipo de única realidade, sem outras opções. Mas a Física Quântica definitivamente nos diz que a natureza não funciona desta forma
Por Eliane Xavier – Mestre em Física teórica pela UFPR;
Praticante budista, professora e palestrante sobre a interdisciplinaridade dos temas Ciência, espiritualidade e qualidade de vida.
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Na formulação da Física Quântica temos conceitos bem estranhos e muito diferentes do nosso mundo clássico e macroscópico. Um deles é a sobreposição quântica. Para entendermos o que é vamos conversar sobre como a medida, ou observação de uma partícula é feita. Temos um termo na Física Quântica que usamos para definir um resultado obtido após uma medição. Este termo é o colapso da onda de possibilidades. O que seria isso?
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Trocando em miúdos, a Física Quântica diz que antes de medirmos o spin de uma partícula, por exemplo, todos os resultados acontecem ao mesmo tempo, no que chamamos de sobreposição quântica. No momento da medida, ou da observação, teríamos um resultado definido, um colapso destas possibilidades, para um único resultado.
Podemos fazer uma analogia desta parte da Física Quântica com nossa experiência no mundo. Sempre que observamos algo de uma determinada maneira, apesar de não percebermos, estamos colapsando em único resultado dentre infinitas possibilidades potenciais de resultados diferentes. Acreditamos que a realidade que vivenciamos seria um tipo de única realidade, sem outras opções. Mas a Física Quântica definitivamente nos diz que a natureza não funciona desta forma.
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No estudo dos ensinamentos budistas aprendemos que observador e objeto não são entidades separadas. O Buda nos diz que nossa experiência de mundo surge por coemergência. O que seria isso? Coemergência é a experiência de surgir junto. Somos enganados pelo nosso senso comum de que a realidade externa existe de modo independente de nossa interação com ela. Mas em um sentido mais sutil não é assim que acontece. Um objeto só surge quando surge também o observador, de forma coemergente com ele.
Voltando a Física Quântica, vamos usar um elétron como exemplo. Imagine que exista um elétron em uma sala e não há ninguém observando este elétron. Desta forma, antes que alguém abra a porta e interaja com o elétron de alguma forma ele se espalha por todo o espaço, como uma onda de probabilidades, estando em todos os lugares ao mesmo tempo numa sobreposição quântica. No momento da observação esta onda de probabilidades se colapsa em um único resultado, dado pelo ato de medir, ou observar.
Desta forma, é importante nos lembrarmos de que tudo no mundo é feito de átomos, e que uma significativa parte dos físicos atuais acredita que o mundo é quântico em todas as escalas. O mundo clássico que vemos e interagimos macroscopicamente pode ser apenas uma aproximação em preto e branco de um mundo quântico tecnicolor.
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Da mesma maneira, quando estamos colapsados em uma realidade é importante se lembrar de que ela é apenas uma de nossas infinitas possibilidades em potencial. Podemos mudar a nossa mente, mudar nossa paisagem mental, meditar, quebrar condicionamentos, mudar a perspectiva e verificar na prática como as infinitas possibilidades estão o tempo todo à nossa disposição, e como podemos acessá-las de modo mais fácil e simples do que imaginamos. O primeiro passo é tomar consciência delas, que estão presentes e disponíveis a todo momento.

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