A teia das reencarnações

“Estou convencido que vivemos novamente e que os vivos emergem dos que morreram e que as almas dos que morreram estão vivas”. (Sócrates)

A psicoterapia Interdimensional, entre outras que trabalham com a investigação do inconsciente além da vida intrauterina, sabem da marcante influência que tem a reencarnação no processo vital.

Nos dias atuais, a crença na existência de vidas passadas, não depende somente da fé de caráter religioso, mas também da experiência psicoterapêutica -de mais de meio século- que comprova ser o espírito a legítima identidade do ser inteligente.

No entanto, não vivemos sós e cada indivíduo busca o seu caminho que, inevitávelmente, cruzará com os caminhos de outros indivíduos, formando a imensa teia das reencarnações que representa a dinâmica social, ou seja, a vida em sociedade.

Neste contexto, a vida de cada pessoa é um emaranhado de fios que se conectam com os fios de outras pessoas que representam uma união famíliar ou vínculos de amizade por afinidade espiritual ou profissional.

Os núcleos familiares significam novas oportunidades de “acerto de contas” com a lei do amor. Dívidas que ficaram do passado a serem resgatadas no presente em forma de relacionamentos que visam o crescimento individual e coletivo na direção do equilíbrio vital.

Comportamentos orientados pelo livre arbítrio que podem alterar para melhor um modelo que cada indivíduo trás de vidas passadas. E a liberdade de escolha está presente em todos os momentos de uma convivência familiar, a começar pelas decisões dos responsáveis em relação à educação de seus filhos.

Por outro lado, os psicoterapeutas não necessitam de um aprofundamento na complexa teia das reencarnações repleta de verdades a respeito de cada um. Basta-nos interligar alguns fios para compreendermos a situação do indivíduo em seu contexto vital, pois tudo está conectado em uma macro-rede que preserva a identidade espiritual de cada ser dotado de inteligência.

Quando um indivíduo regride a uma vida passada, percebe-se o quanto é valioso o instrumento que leva-nos a compreender a dinâmica das reencarnações. O quanto é perfeito o mecanismo fundamentado na justiça das leis naturais que orientam a vida inteligente no universo. E o quanto é precisa a consequência de nossas escolhas que definem os perfis espiritual, psicológico e moldam o comportamento.

É pela regressão de memória extracerebral que temos a oportunidade de acompanhar psicoterapeuticamente o que a linha tradicional não consegue perceber nas entre-linhas de uma mensagem ou na leitura de uma associação livre que tem a sua conexão com uma vida pregressa.

A teia das reencarnações torna-se um valioso campo de pesquisa científica, cuja abrangência atinge tanto as ciências humanas quanto as ciências exatas. Um imenso “sítio de memórias” da história individual e coletiva a ser descoberto e explorado em benefício do próprio homem.

Interconexões jamais vislumbradas por Sigmund Freud que chegou às bases da explicação comportamental. Importante conhecimento e objetivo parcialmente atingido pelo estudo do comportamento humano que visa o tratamento dos desequilíbrios psíquicos.

Nesta direção, precisamos aceitar a teia das reencarnações não pelo viés religioso, mas pelo viés científico que busca as causas que geram o efeito transformado em patologias do comportamento humano. Precisamos também, elevar a educação ao nível de inquestionável importância no contexto das sucessivas vidas do espírito imortal. O mesmo deve ocorrer com a saúde, pois tudo está interligado para quem tem os “olhos de ver e ouvidos de ouvir”.

A compreensão do psiquismo humano tornar-se-á muito mais abrangente se aceitarmos a reencarnação e a sua fantástica interconexão de fios que representam milhares de anos de vida humana no planeta Terra. Nesta abrangente compreensão, o bem e o mal que residem em nós mesmos, serão assimilados e considerados como referências básicas no tratamento de  psicopatologias estruturais. Assim como a necessidade de aceitação da terapêutica espiritual em certos casos.

Neste sentido, a experiência das psicoterapias de âmbito interdimensional tem aberto novos horizontes para que a ciência vislumbre possibilidades de fácil acesso. Basta para isso, acreditar que uma nova ótica é possível e, acima de tudo, imprescindível na compreensão do que está além da linha do horizonte, já que o aquém é conhecido.

Entender que o hoje é uma consequência do ontem que permanece bem vivo dentro de nós, tem o significado de revelações que encontram-se ocultas pelo fato de não acreditarmos que além do horizonte a história do indivíduo continua.

O inconsciente humano é imensurável, assim como o cérebro ainda é uma incógnita, e a alma, infinita.

Precisamos nos despojar de conceitos ou preconceitos que pesam na hora de aceitarmos o que é evidente e que independe de dogmas para afirmar-se ou ser aceito. Precisamos perceber que o limite é uma ilusão provocada pelos condicionamentos, e que o ilimitado é real como campo de pesquisa e de investigação no âmbito do comportamento humano envolvido por teias visíveis se tivermos os olhos de ver.

por Flávio Bastos

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