“… como a faca corta e divide um objeto físico
em dois, assim a diferença de forma separa e
divide o objeto espiritual em dois..”
Rabi Yehuda Ashlag, “Introdução ao Zohar”

cabala 9

Imagine-se como um curioso neste mundo. Você e Eu nos encontramos
a um metro de distancia, nos falamos nos vemos, mas nenhum de nós tem
a menor idéia sobre os pensamentos e desejos do outro. É possível até que
neste preciso momento esteja pensando em outra pessoa que vive ou viveu
em algum outro continente ou época.
É sabido que as pessoas enamoradas “levam consigo” a amada aonde
quer que vá. Falar-lhes é uma experiência realmente curiosa; onde estiverem,
seus pensamentos estão no maravilhoso “mundo sublime” dos
enamorados.
Em contraste a isto, se me perguntarem ao lado de quem estive sentado
hoje no metrô, no caminho do trabalho, ou ao lado de quem estive parado
na fila para comprar as entradas da semifinal de futebol, seguramente

não poderia dizer, porque mesmo esperando na fila ou viajando no metrô,
estava pensando em outras coisas ou pessoas.

“… não se trata de estar perto ou longe fisicamente, mas
sim de equivalência de forma…
Rabi Yehuda Ashlag, “Introdução ao Zohar”

A conclusão é que a proximidade corporal não é o mesmo que a proximidade
em nossa vida interna, ou seja, quando há algo que realmente
queremos e sentimos afinidade, isto ocupa todos os nossos pensamentos,
sentimentos e imaginação.
Equivalência Natural
Se observarmos como funciona a “lei de equivalência de forma” na natureza,
notaremos que não há nada de excepcional aqui. Vemos só o que o
nosso sistema de percepção – por exemplo, o olho – é capaz de captar por
equivalência de forma.
O olho humano enxerga um comprimento de onda numa escala de
cores que vai desde o violeta até ao vermelho. Por isso, somos incapazes
de captar um comprimento de onda mais alta que o violeta, por exemplo,
o ultravioleta, a menos que tenhamos um equipamento apropriado.
A abelha enxerga num comprimento de onda ultravioleta e dessa maneira
localiza flores de distintos tipos. Os mosquitos por sua vez, captam o
comprimento de onda apropriada a eles e assim podem dirigir “um ataque
direto” às nossas veias. A “lei de equivalência de forma” funciona aqui de
uma maneira muito tangível!
Sabemos que a realidade está composta de múltiplas freqüências que
afetam nossas vidas mesmo sendo incapazes de percebê-las, como a radia-
ção dos raios-X ou as ondas de rádio. Se tivéssemos o instrumento apropriado
de captação, capaz de transformar estas ondas num comprimento
adequado aos nossos sistemas naturais de percepção – os ouvidos, olhos,
nariz e diversos sensores de nossos corpos – poderíamos reconhecer a existência
destas ondas no ar.

“as pessoas são iguais em forma [quando] cada uma ama o
que a outra ama e odeia o que a outra odeia.…
Rabi Yehuda Ashlag, “Introdução ao Zohar”

Por exemplo, se perguntarem a você agora se há alguma transmissão em
sua estação de rádio predileta, você dirá que não pode saber a menos que
ligue o rádio na freqüência daquela estação. O que é gerado então pelo
rádio?
O aparelho de rádio simplesmente sintoniza a frequência que já se encontra
no ar, inclusive antes de sintonizá-la. Logo converte a mensagem
produzida pela emissora da rádio, de uma frequência de onda que não
podemos perceber, para uma que nossos ouvidos são capazes de captar.

Próximos e distantes
Quando usamos o termo, “próximo”, nos referimos por exemplo, a “tia
Andreia que vive no Rio de Janeiro” ou ao “Thiago, o filho de Vera, a irmã
de sua avó”. Às vezes também usamos este termo para enfatizar a proximidade
de idéias entre nós, como quando ambos cremos que é necessário
uma mudança social no País. Outras vezes, este conceito é usado para
expressar a medida do amor recíproco entre nós; por exemplo, ao pensar
e desejar que o outro tenha uma vida boa e agradável.
Que é então, a proximidade espiritual?

A equivalência de forma espiritual
No mundo espiritual, como no corporal, funciona a lei da equivalência
de forma, só que no mundo espiritual não se fala de igualdade de freqüências
ou ondas e sim de uma semelhança ou diferença de intenções.
No mundo espiritual são medidas somente as “intenções” (os pensamentos).
A natureza do homem é pensar em si mesmo e em seu próprio
proveito, apesar da Força Superior que ativa e dirige nossas vidas e toda a
realidade, atuar só por amor; para dar, outorgar.
Assim, no plano espiritual existe uma inversão entre o ser humano e a

Força que dirige nossas vidas.
Portanto, se nosso desejo é conhecer e entender o Governo sobre este
mundo teremos que adquirir o atributo de outorgamento. Ao seguir pensando
só em nós mesmos e em nosso beneficio pessoal, não poderemos
saber as causas do que ocorre ao nosso redor e em nosso interior, já que
continuaremos num estado oposto ao da Força Superior.
Somente se encontrarmos a maneira de elevarmo-nos acima de nosso
egoísmo, libertando-nos da auto-preservação alcançaremos a medida de
equivalência de forma, como nossos sábios disseram: “Assim como Ele é
misericordioso, também tu serás misericordioso, assim como Ele é piedoso,
também tu serás piedoso…”.
Assim penetraremos num mundo novo, de amor, outorgamento e generosidade.
Conseqüentemente iremos experimentar o bem e a felicidade; a
Meta principal da Criação!

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