Nossas contemplações mais despretensiosas do Cosmos
nos induzem — há um calafrio na espinha, uma perda de voz,
uma sensação de vazio, como em uma memória distante, de uma
queda a grande altura. Sentimos que estamos próximos do maior
dos mistérios.
cosmos
O tamanho e a idade do Cosmos estão além da compreensão
humana. Perdido em algum local entre a imensidão e a eternidade,
está o nosso diminuto lar planetário. Sob uma perspectiva
cósmica, a maioria dos objetivos humanos parece insignificante,
até mesmo mesquinha, embora nossa espécie seja jovem, curiosa
e corajosa, e encerre grandes esperanças. Nos últimos milênios
fizemos descobertas assombrosas e inesperadas sobre o Cosmos
e sobre o nosso lugar nele, explorações que anseiam ser consideradas.
Elas nos lembram que os seres humanos evoluíram para
perguntar sobre si mesmos, que compreender é uma alegria, que
conhecimento é um pré-requisito para sobreviver. Acredito que o
nosso futuro dependa de quanto saibamos sobre este Cosmos no
qual flutuamos como uma partícula de poeira em um céu matutino.
Estas explorações requerem ceticismo e imaginação, a
qual, com freqüência, nos transporta a mundos que nunca existiram,
mas sem ela não vamos a parte alguma. O ceticismo nos
permite distinguir a fantasia do fato, para testar nossas especula-
ções. O Cosmos é rico, além das previsões, em fatos graciosos,
em inter-relações estranhas, em engenhos sutis do terror.

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A superfície da Terra é uma fronteira do oceano cósmico.
Dele aprendemos a maior parte do que sabemos. Recentemente,
aventuramo-nos no mar o suficiente para umedecer os pés ou, no
máximo, molhar nossos tornozelos. A água parece nos convidar. O
oceano chama. Uma parte do nosso ser sabe que lá é o local de
onde viemos. Demoramos a retornar. Estas aspirações, penso,
não são irreverentes, embora possam perturbar, independente dos
deuses que existem.
As dimensões do Cosmos são tão grandes que, se utilizássemos
as unidades de distância familiares, como metros ou milhas,
escolhidas pela sua utilidade na Terra, fariam pouco sentido.
Medimos, então, as distâncias com a velocidade da luz. Em um
segundo, um raio de luz percorre 186.000 milhas, aproximadamente
300.000 quilômetros ou sete voltas em torno da Terra;
em oito minutos ele viaja do Sol à Terra. Podemos dizer que o Sol
está a oito minutos-luz de distância. Em um ano ele atravessa perto
de dez trilhões de quilômetros, cerca de seis trilhões de milhas
de espaço. Esta unidade de comprimento, a distância que a luz
percorre em um ano, é chamada ano-luz. Mede não o tempo, mas
distâncias — distâncias enormes.
A Terra é um lugar. De maneira nenhuma o único lugar,
nem mesmo um lugar típico. Nenhum planeta, estrela ou galáxia
pode ser típica, pois o Cosmos é, em sua maior parte, vazio. O
único lugar típico é o vácuo universal, frio e vasto, a noite interminável
do espaço galáctico, um local tão estranho e desolado que,
por comparação, planetas, estrelas e galáxias parecem dolorosamente
raros e adoráveis. Se estivéssemos aleatoriamente inseridos
no Cosmos, a chance de nos descobrirmos em um planeta ou
próximo a um deles seria menos de uma em um bilhão de trilhão
de trilhão* (1033, um seguido de 33 zeros). Na vida diária, tais probabilidades
são chamadas de “forçadas”. Os mundos são preciosos.

De um ponto do espaço intergaláctico privilegiado, veríamos,
espalhados como espuma no mar em ondas do espaço, inumeráveis
punhados de estilhaços de luz pálida. São as galáxias.
Algumas são viajantes solitárias, muitas habitadas por aglomerados
comunais em confusão, levadas eternamente na imensa escuridão
cósmica. Diante de nós está o Cosmos, na maior escala que
conhecemos. Estamos no reino das nebulosas, oito bilhões de
anos-luz da Terra, a meio caminho da fronteira do universo conhecido.

Uma galáxia é composta de gás, poeira e estrelas — bilhões
e bilhões de estrelas. Cada uma delas pode ser um sol para
alguém. Em uma galáxia existem estrelas e mundos e, talvez, uma
proliferação de formas de vida e seres inteligentes e civilizações
espaciais. Mas de tão longe uma galáxia me lembra uma coleção
de objetos, conchas marinhas, ou talvez corais, produtos do trabalho
da Natureza por eternidades no oceano cósmico.

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