falso humildeA Humildade é uma das sete virtudes descritas no poema épico Psychomachia. A obra,  escrita por volta de 405 pelo poeta romano Clemente Prudencio, somente se tornou conhecida e adotada no século seguinte, em plena Idade Média.
A partir daí tornou-se lei pétrea o conceito de que a humildade naturalmente se opõe à soberba, um dos sete pecados capitais. Sobre essa belíssima virtude, de resto, um dos pilares do edifício evolutivo da criatura humana, escreveu padre Manuel Bernardes:      Dentre todas as virtudes, somente a humildade se ignora a si mesma. Como traz os olhos baixos e fitos no abismo do seu nada, não reflete sobre o seu conhecimento, porque o verdadeiro humilde não presume que o seja.

Não por mero acaso, Sócrates (470 – 399 a.C), um dos maiores sábios de todos os tempos,  humildemente confessou: “quanto mais sei, mais sei que nada sei”.

Nos dias que correm, dado o primitivismo atávico em que a humanidade ainda se situa, infelizmente as criaturas ainda se dividem em dois grandes grupos: o dos “mais ou menos virtuosos” e o dos “mais ou menos viciosos”. Não bastasse isso, porém, somos obrigados a conviver com os famigerados e temíveis subgrupos dos “falsos humildes” infiltrados entre os grupos principais. Mas, como os distinguirmos?

Com as devidas condensações e alterações de estilo para adequação ao espaço do post, estou inserindo um artigo de André de Oliveira, intitulado “Humildes e Magnânimos”, postado em 27/09/2003, dando conta que hoje abundam os falsos magnânimos (ou os pretensiosos) e os falsos humildes (ou os hipócritas), que se dividem em quatro tipos:

I – Os ricos pretensiosos; II – Os intelectuais pretensiosos; III – Os ricos hipócritas e IV – Os intelectuais hipócritas. Vamos a eles:

I – Os ricos pretensiosos atribuem a si próprios uma grandeza que não possuem e que manifestam de maneira ostensiva. Querem, a todo preço serem notados e comentados e julgam-se merecedores de honras especiais pelas suas performances, conhecimentos e trejeitos. Consideram que distinguir um mortal comum com as suas sublimadas atenções, constituir-se-á na mais extremada honra.

II – Quanto aos intelectuais pretensiosos, estes são facilmente reconhecidos. Geralmente são pessoas que sabem de tudo um pouco, e sempre muito superficialmente. Explica-se isso pelo fato de que, justamente por saberem que os interesses da maioria das pessoas por aqueles assuntos são pequenos, correm pouco risco de serem pegos em contradição.

III – Já os ricos hipócritas travam feroz luta consigo mesmos ao conspurcar a teoria marxista das classes, onde “são os ricos os responsáveis diretos pela miséria dos pobres”. É por isso que os ricos hipócritas defendem com unhas e dentes as lutas das classes menos favorecidas, sem abrir mão do seu conforto e status, e sem encetar qualquer sacrifício pessoal em nome desses seus ideais (hipócritas, é claro).

IV – Finalmente, os intelectuais hipócritas são os tipos que mais influenciam negativamente o curso da história. São eles que se dizem preocupados com os mais necessitados, porém, se utilizam deles para se autopromoverem. Baseando-se nisso, instituem os reinados das suas opiniões, não importando o quanto saibam sobre o assunto os opinadores, pois o que vai valer é o consenso hipócrita.
patetaO duro é saber que existem pessoas que se enquadram nos quatro tipos ao mesmo tempo!  Praticamente a perfeição da imperfeição!

Prossegue André de Oliveira:
É preciso que saibamos vislumbrar os verdadeiros magnânimos e os verdadeiros humildes, porque devem servir de exemplo para a humanidade. Porém, na ânsia de enxergar os defeitos dos outros, temos dificuldades de reconhecê-los. Por exemplo, se numa discussão, um debatedor pergunta como você sabe aquilo que acabou de declarar, se responder que leu em três livros e os cita nominalmente, provavelmente será considerado por ele um esnobe. Mas se você realmente leu os três livros e está colocando em discussão o seu real conhecimento, você não o está esnobando, está sendo magnânimo. O seu colega é que é um hipócrita, pois aparenta uma humildade que não tem, já que é incapaz de reconhecer a superioridade do conhecimento alheio, e ainda reage com afetação. Agora, se você não entendeu nada do que disse, por conhecer apenas o título dos livros, então você é apenas um pretensioso, mas aí ele só vai poder julgá-lo se tiver pelo menos uma noção do assunto.

E conclui o pensador:
Pelo exemplo dado, é possível perceber o que é mais comum acontecer no Brasil : os poucos magnânimos em inteligência e riqueza,  são tido como esnobes e apenas os intelectuais hipócritas e aqueles que eles escolhem para “cuidar” dos “necessitados” são vistos como verdadeiros humildes.

frases-aquele-pensa-que-sabe-muito-mas-nao-sabe-de-nad-francois-fenelon-1624Como disse o filósofo Benito Pepe: “Quem acha que sabe tudo não está aberto pra aprender, portanto não aprende. E se não aprende não sabe, assim quem pensa que sabe tudo na verdade nada sabe. Ao contrário quem tem consciência que não sabe e está pronto pra aprender sabe muito e quanto mais sabe percebe que mais tem a aprender.  Como dizia Sócrates, ao enunciar: “Só sei que nada sei.”
“Aquele que tendo consciência da sua ignorância abre o coração para ouvir, ler, viver, enfim aprender, este é o verdadeiro sábio.”
Paremos e pensemos…

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